segunda-feira, 4 de março de 2013

Se for assim eu sou ateu

Se Deus é um cara que fica esperando eu fazer algo para retribuir, então eu sou ateu. Se o Todo-Poderoso está debaixo da regra da ação e reação, onde eu precise depositar para depois receber, como uma bolsa de valores, então eu sou ateu. Existem bons bancos – com bons juros e comerciais bonitinhos – onde eu posso conseguir dinheiro mais fácil do que ficar fingindo gostar dos ‘irmãos’.

Agora, se Deus for um ser acima de todos os outros (Isaías 45:5), com santidade incorruptível (Apocalipse 4:8), que busca estar com comunhão com homem de forma a melhora-lo a cada dia (João 15:16) ah, aí sim eu sou cristão. Se o cara lá em cima estiver zelando pelas crianças, pelos pobres, pelas viúvas, pelos doentes crônicos, pelos necessitados (Mateus 6:32) – mesmo que soe politicamente correto – aí sim, eu sou cristão.

Ah, mas se Deus for um sanguinário vivo no imaginário de pessoas frustradas tentando impor poder sobre outras, aí eu sou ateu. Se o magnífico Senhor do senhores tiver filhos prediletos aos quais presenteia com ‘prosperidade’ e milhões em sujeira e com gosto nojento, eu serei ateu, com toda minh’alma, mesmo que os mesmos não acreditem na existência de uma.

Mas pensando bem, e se Deus estiver lá em cima olhando tudo isso e apenas deixando que ‘as crianças se resolvam’? (1 João 5:17) Afinal, os problemas sociais não são problemas de Deus. Deus não vota. Não prende. Não julga (ainda). Se eu sou responsável por meus atos, o que Deus tem a ver com isso, porque Ele resolveria? Se Ele for mesmo pai, irá deixar que aprendamos com nossos erros até nos tornarmos conscientes da verdade. Aí eu sou cristão.

Se Deus for um juiz perverso, pronto a condenar, cheio de ódio e malícia, aí eu sou ateu. Se Deus gritar comigo, eu sou ateu. Aliás, se Ele me impor as coisas eu também serei ateu. Pensando bem, se eu tenho a opção de ser ateu, será que existe mesmo um Deus? Ou será que um ser onipotente, todo-poderoso precisa impor sua majestade?

Se Deus permitir as pessoas o odiarem mesmo sem acreditarem nEle, e na mesma intensidade amá-las de forma convicta, aí eu sou cristão e dos fervorosos. Quem realmente deve não teme, e se Deus realmente não existisse, talvez um outro se levantaria apenas para impor isso, um ‘deus’, uma divindade.

Apenas o fato de existirem ateus, pessoas que odeiam e desrespeitam a divindade celeste já me provam a existência de um Deus, de um Deus que simplesmente não precisa mostrar que existe, que é, que pode, que vai, que julga, que faz, apenas um Deus. Quem quer aceitar que aceite, quem não quer, paciência, Ele ama por igual, ama e amará, sempre. E mesmo se um dia eu virar ateu – tolice – Ele ainda estará a me esperar.

O Deus ao qual eu me refiro, não é um ricão que resolveu lavar dinheiro na terra, elegendo pseudo-crentelhos preferidos e cri-cris que apontam nossos erros e vão de encontro ao nosso subconsciente não muito diferente de cartomantes ou charla-videntes. Eu tenho é pena desses. O Deus ao qual me refiro é o de amor, de paz e de justiça, ah… a justiça!

É lógico que eu não sou ateu, quem me conhece sabe. Respeito e sou amigo de muitos e isso não significa concordar. Minha intenção não é converter ninguém aqui, é só explanação de ideias. Só acho o ateísmo, em tese, muito modinha hoje em dia. Coloquem a culpa em Deus, finjam ser intelectuais, postem dois ou três trechos bíblicos contraditórios – considerando que a Bíblia foi traduzida e pode ter perdido alguns sentidos – e você é o cara, super legal. Quer ser ateu? Eu não vou odiar ninguém por isso, e se o fizesse seria tolice me auto chamar de cristão. O meu Deus é amor, não dinheiro, não recompensa, não justiça com as próprias mãos. Só acho que os homens podiam assumir as suas responsabilidades dos próprios atos antes de colocarem a culpa em um ‘deus’ o qual sequer consideram a existência.

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