quinta-feira, 4 de abril de 2013

Harlem Shake da revolta

reproduçãoHá cerca de um mês foi realizado, aqui em Indaiatuba, a gravação de um dos maiores Harlem Shake’s do Brasil. A dança, virou febre no youtube. Não se sabe ao certo quantas pessoas participaram, mas foram muitas. Fiquei intrigado. Está certo que estamos na era dos abaixo-assinados. Votar pra valer nem pensar, depois a gente faz uma série de assinaturas e está tudo certo. Que bobagem! Abaixo assinados são válidos na democracia? É claro, mas não são mais importantes do que o voto.

Curioso também, é observar que um dos maiores abaixo-assinados da atualidade foi entregue em Brasília quase que na mesma época. O documento pedia a renúncia do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB). Mas eu me pergunto, ele não está lá legitimamente eleito por voto popular? Então não podemos reclamar, é legítimo. Nós somos os culpados, ninguém usou armas para entrar no Congresso. Aceitar é outra história. Podemos protestar sim, né Collor? Mas temos que tratar o problema na raiz. Porque diabos não votamos certo?

O que esses dois fatos tem em comum? Vamos fazer um exercício de imaginação. Se chamarmos os jovens do Facebook para um movimento legal de cidadania, como uma passeata a favor do direito a educação, quem irá? Agora, se chamarmos os mesmo jovens para fazer uma dancinha idiota (na minha opinião), quantos irão? É legal! Vai dar muita repercussão. Não sou contra quem quer que seja em qualquer movimento. A questão é a prioridade. A cidade de Indaiatuba, apesar de tudo, tem seus problemas, suas mazelas. Não vi ninguém se reunir em praça alguma pela tarifa de ônibus, por exemplo, que custa como em grandes capitais (R$3). O jovem é capaz de sair de casa num domingo a tarde para gravar um vídeo de 30 segundos para por no Youtube em nome da ‘popularidade’, mas não é capaz de ir às ruas contra alguma injustiça social.

Hoje em dia, não existem mais caras pintadas. O movimento das Diretas Já seria impossível de acontecer, todos ficariam em casa assistindo Malhação. Novamente, não estou condenando quem vê tv, é uma opção, é um direito, uma liberdade, que jamais teríamos, talvez, sem os grandes heróis da história, que não pensavam no próprio umbigo, mas mudaram o mundo, o Brasil, em prol da sociedade, o que os jovens da atualidade, inclusive este que vos escreve por vezes, é incapaz de fazer e, inclusive, de pensar. Falta de capacidade? Ou preguiça?

Todo mundo é assim? Não, é claro que não. Temos o exemplo recente da primavera árabe, onde as pessoas saíram as ruas pedindo liberdade e mínimos direitos civis das mulheres, por exemplo. Não considero, entretanto, a Femem, por exemplo, como um movimento revolucionário. Acredito no debate das ideias, na apresentação e exibição de ideais, não de seios. Os revolucionários jamais perderiam tempo tirando a roupa, estariam ocupados lutando por um ideal, que exemplo.

Pior que os dançarinos felizes num país carente de idealistas e superlotado de partidários nada diferentes de burros de carga, que lutam cegamente por bandeiras políticas, não levando em conta os interesses do país, são os estudantes atuais. Não são todos, não posso e nem vou generalizar. Tem muita gente boa, os quais devem receber grande voto de confiança. Mas a maioria ainda luta por ideais idiotas. Não precisamos ir muito longe, né USP? Relembrando, não são todos, mas os que são, o fazem representar.

Eu queria ver essa turma indo as ruas a favor das crianças. A favor das mulheres que morrem todos os dias nas clínicas de aborto clandestinas. Pelos idosos que ficam dias esperando nas filas dos hospitais. A favor dos brasileiros sendo maltratados no exterior. Todo mundo quer só o seu e essa é a receita do fracasso para o qual nos destinamos. Fracasso moral. Fracasso como sociedade. Fracasso como humanos, quando não somos nem um pouco humanos.

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