quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ordem e Progresso na dança das cadeiras

Originalmente publicado no Foca

A excessiva mudança de partido pelos políticos brasileiros tem uma ligação com
a brincadeira infantil dança das cadeiras: a velocidade com que acontecem as trocas.
O humor existe apenas para aqueles que se reelegem. Seria engraçado, se não
acontecesse com as lideranças que tomam as principais decisões para o interesse da
população, como deputados, por exemplo.

Partidos crescem pelos nomes que estão ligados à legenda – diferentemente do que
acontecia, principalmente, nos tempos obscuros da ditadura militar, onde haviam
ideologias que eram seguidas de forma rígida, no caso, a militar. Uma pesquisa feita em 70 cidades revelou que dois em cada três brasileiros não se lembra do nome do
candidato que votou na última eleição. Aspecto que pode ter influência, ou justificativa, no descaso de alguns líderes com os eleitores. "A partir do momento em que os eleitores não se preocupam em fiscalizar a vida dos políticos e suas ações partidárias, eles dão aos eleitos o direito ou, pelo menos, a condição para
fazerem o que bem entenderem”, explica Jaqueline Rosa, estudante do 5º semestre de
Jornalismo e filiada ao Partido da Mobilização Nacional (PMN). “Eles passam a agir mais de acordo com seus próprios interesses do que pelo bem comum", completa a universitária.

A falta de interesse pelas causas políticas, principalmente dos jovens, é preocupante,
principalmente pela responsabilidade que a juventude carrega em relação ao futuro. Pela primeira vez, desde 1998, o número de jovens que ainda não são obrigados a votar diminuiu. Foram registrados cerca de 2,3 milhões de eleitores facultativos em 2010, uma queda de 6,81%, com relação à eleição nacional de 2006, quando o número era de 2,5 milhões.

Mas se há variadas legendas, porque elas se unem? “Em alguns momentos da história, podemos ver socialistas e comunistas juntos para derrubar o fascismo, mas eles se separam depois do objetivo conquistado, porque não faz mais sentido estarem unidos depois disso.”, explica o articulista do jornal Bom Dia Sorocaba e professor do Ceunsp, João Negrão: “Devemos diferenciar os partidos sérios, que tem projetos de sociedade, das legendas de aluguel, que usam as eleições, que acontecem a cada dois anos, para fazer negócio”, explica.

Na história brasileira podemos ver isso em alguns momentos específicos: “No antigo
MDB, que fazia oposição durante a ditadura, existiam desde comunistas até liberais
democráticos. Porque havia algo em comum, o fim da ditadura, objetivo alcançado, cada um pro seu lado”, revela Negrão, que é mestre e doutor em sociologia política pela PUC SP.

Hoje em dia, ainda segundo ele, muitos candidatos se aproveitam dessas “legendas de aluguel” apenas para se eleger, sem qualquer identificação com as ideologias do partido: “Podemos usar o exemplo do Clodovil, que foi eleito pelo Partido Trabalhista Cristão (PTCSP). Ele era assumidamente homossexual. Quando ele morreu, o seu suplente era um  coronel ligado à ditadura.” Pessoas famosas que atraem muitos votos são prato cheio para esses negócios feitos por essas legendas de aluguel: “Grande parte dos candidatos são eleitos individualmente e não pelo partido.”,
completa Negrão, que ainda revela: “Muitos partidos ficam reféns por conta de tempo
de TV e governabilidade”, ainda segundo o jornalista: “Se observarmos a base de apoio
do governo nos últimos anos, PT e PSBD tem o mesmo apoio, que demonstra esse interesse apenas de governabilidade.”, completou.

matéria publicada: AQUI

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