segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A comunicação na história do Brasil - parte 1

 

clip_image002Desplugue o seu PC da tomada pra ver se você consegue viver. Hoje em dia é impossível imaginar a vida sem um celular smartphone por perto. Assim como a última tecnologia é a de amanhã, todos os meios de comunicação têm a sua origem e significado. Do mesmo modo que pra nós viver sem internet é uma tortura, a cerca de duas gerações passadas não se comunicava sem, o já ultrapassado, telégrafo.

De uma família de imigrantes italianos que veio trabalhar nos campos do interior paulista, nasceu Maria Soeli Tirabassi de Almeida, 56, que relatou como era comunicação no final da década de 50: “O telégrafo era o modo de comunicação mais rápido da época. Tinha apenas um no correio da cidade e quando você precisava comunicar alguém tinha que ir lá”. Era um tempo anterior ao da policial Sidinéia da Silva Santos, 50, que viveu sua infância no início da década de 60, na zona norte de São Paulo: “A comunicação era só pelo rádio. Minha mãe ouvia muitas radionovelas. Tinha muita sonoplastia, sons de chuva, batidas na porta, por exemplo.” Nesta época já dava pra medir a repercussão dessas tramas: “Minha mãe tinha uma oficina de costura, juntava aquele mulherio para comentar as novelas” - conta.

O rádio fez o telégrafo perder espaço. O Brasil, especificamente, tinha na sua população, mais de 90% de analfabetos. Por isso, o rádio – que tinha fácil acesso e entendimento - se expandiu. O jornal impresso também ganhou espaço, mas em menor escala, pois era de difícil acesso e entendimento da grande massa. O grande hit da época era mesmo o rádio: “Tinha rádio novela e o jornal Hora do Brasil, que era como o Jornal Nacional hoje em dia” - revela Soeli. A mídia policial já fazia fama nesse tempo: “O principal jornal impresso era o Estadão e outro, que não lembro o nome, que era sensacionalista, só falava de tragédia, falavam que se espremesse sairia só sangue” conta Sidinéia.

Naquele Brasil era difícil o acesso à informação da grande massa. Informações podiam ser facilmente manipuladas: “Nós ficamos sabendo da grande guerra pelo rádio” – conta Soeli, que confirmou que não havia como saber se havia alguma omissão ou mentira nas notícias. A grande massa ficava a mercê do interesse e da opinião dos grandes comunicadores. Diferentemente dos dias atuais, em que o grande público tem acesso à internet. Pipocam vídeos de celulares e pequenas câmeras amadoras que acabam virando notícia e tendo milhares de acessos.

Após a grande explosão do rádio no Brasil como meio de comunicação, a televisão chegou ao nosso país. O pernambucano Francisco de Assis Chateaubriand, o Chatô, foi o idealizador da ideia. A TV chegou ao Brasil revolucionando. A primeira emissora a ser fundada foi a TV Tupi, que foi inaugurada em 18 de Setembro de 1950. Hebe Camargo e Lolita Rodrigues, que eram grandes estrelas do rádio nacional, estiveram presentes nesse dia. Pode-se perceber uma migração muito grande de artistas do rádio para a TV: “Silvio Santos dava notícias policiais no rádio, como se fosse o Datena hoje em dia” – conta Soeli. O jornal de maior sucesso na época era o Repórter Esso:

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A TV tomava o lugar do rádio no coração dos brasileiros e na carteira profissionais dos grandes comunicadores. Aos poucos foi sendo popularizada e chegando a grande massa. Os anos foram se passando e a TV foi se consolidando cada vez mais nas casas dos brasileiros. A principal diferença entre o rádio e a TV – a imagem – deixou de ser apenas preta e branca para ficar colorida. Tudo corria bem, até que chegou a década de 60, e o golpe militar.

A ditadura teve grande impacto nos meios de comunicação. O pulso firme do governo chegava às redações: “A polícia recolhia máquinas fotográficas, gravadores. Eu ouvia um tio meu, que era produtor e trabalhava numa agência de publicidade (na capital paulista), narrar historias sobre os publicitários envolvidos em política” – relata Sidinéia. Nesse tempo não era qualquer produção que podia ser veiculada: “Naquela época havia muita censura com o que eles (publicitários) criavam, porque não existia liberdade de expressão. Para você ter ideia, nem propaganda de absorvente era permitido” explica.

clip_image005As emissoras que desejassem continuar no ar durante a ditadura teriam que ignorar o movimento. Muitos meios de comunicação foram fechados. Jornalistas capturados, torturados e mortos. Os veículos que continuavam circulando serviam de marionete nas mãos dos militares. A ditadura chegou ao fim em 1985. Dando novas esperanças não só ao povo em caráter político e social, como também novo fôlego aos meios de comunicação.

(Continua … )

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