Nasceram os meninos. Todos os dias nascem meninos (e meninas também). Nasceram após um longo período de gravidez. Planejamento de nome. Roupas. Alegria na família. Todo o ritual que se inicia quando uma mulher descobre a gravidez. Na Inglaterra, num hospital de luxo, com os melhores médicos, equipamentos, com toda a aparelhagem necessária para todas as situações que podem advir no pós parto, nasceu George. Na Bahia, um garotinho sem nome, sem leito, sem proteção, e – principalmente – sem amor, é encontrado numa caixa de sapatos. Nasceu Francisco.

Essa próxima semana que se inicia nascerá um parente próximo, o João Pedro. Virão outros. Muitos outros. Todos os dias nascem. Todos os dias vivem. Todo dia uma mulher descobre uma gravidez. Todo dia um novo menino é feito, é gerado, nasce, vem ao mundo. A diferença está no tratamento, está no amor, no local. O pequeno George tem mais título que dentes na boca. Será conhecido por mais gente do que poderá saber antes de aprender a ler. Será inspiração para muitos outro nomes. E Francisco?
O que George tem que Francisco não tem? Ele pode ser mais branquinho. Um DNA diferente (o que é óbvio, se tratando de pessoas diferentes), mas nada de sangue azul. George terá (mesmo em meio a crise europeia) as melhores roupas, a melhor educação, os melhores médicos e o amor (não, não existe melhor amor, existe amor, ele é o melhor). E Francisco?
Um filho do Brasil encontrado numa caixa de sapatos só reflete a indiferença de algumas pessoas pela vida. Talvez se nós responsabilizássemos as pessoas por seus atos por aqui, nem discutiríamos aborto ou talvez adoção. É muito fácil fazer filho e jogar no mundo, o difícil é criar. E não há leis que obriguem os pais a cuidarem dos filhos se eles não quiserem. Que absurdo! Francisco há de encontrar o seu caminho e o amor que merece (todo o amor).

George também. É um príncipe. É um duque, arqueduque, sabe-se lá o que. Mas é. É humano. Francisco também é. Os dois apareceram na TV. Um por ser quem é, o outro por ter se tornado quem é. Espero que ambos encontrem o seu caminho. Encontrarão. Mas são iguais. Exatamente iguais. Nasceram de nove meses, no mesmo mundo, na mesma espécie. Mas nós (auto declarados racionais) continuamos com essa velha mania de criar subespécies. Que a inocência de ambos nos perdoe e que nós possamos tratar todos igualmente, seja George, seja Francisco.
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