quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O poder da mídia e a síndrome de Anitta

Que eu me lembre esse nome era o título de uma minissérie de muito sucesso há uns dez anos atrás na TV Globo. Voltou. E voltou com tudo. Anitta, para quem ainda não sabe (felizes são), é uma cantora de funk/pop sendo multi promovida, principalmente, por ser um dos pupilos da gravadora da mesma Rede Globo, a Som Livre. O hit que fez a funkeira estourar foi o “prepara”, entoado aos quatro cantos pelo pessoal massa de manobra. Do outro lado dos gêneros e na mesma situação está o “chocolateiro” Naldo. Outro funkeiro pop que está passando pela mesma fase de superestimo.

Todas as páginas de notícias de famosos, todos os sites, revistas, jornais. Nas redes sociais, nas playlists, em todo o lugar, todo dia, toda semana, está insuportável, Anitta e Naldo estão lá. Não é preconceito contra o ritmo. Longe disso. Mas ver uma notícia sobre o almoço de Anitta ou sobre qual tipo de papel será usado no convite de casamento do Naldo, para mim, não é mais importante do que muita coisa no país.

É lógico. Está claro. Tem muita gente ganhando dinheiro com isso. E não é pouco, não. Tudo isso me faz refletir. A mídia tem o povo nas mãos mesmo, mais do que nunca. Apesar de termos evoluído em alguns aspectos, a mídia tem total controle da massa. O que a sociologia chama de “meio de comunicação de massa”. Na segunda-feira, o povo está falando da reportagem do Fantástico, da pegadinha do Silvio Santos, da derrota do seu time no Campeonato Brasileiro. É como um “siga o líder”. Todo mundo senta na frente da TV domingo a noite e pergunta ao meio: “O que você quer que eu pense amanhã de manhã?”.

A TV está errada em usar isso para si própria? De jeito nenhum. Acredita quem quer. A TV tem controle, tem tomada. Ninguém te obriga a ver, a assistir, a acreditar. No lugar deles, eu tenho certeza que a maioria faria o mesmo. Não podemos responsabilizar o emissor pela burrice do receptor. A mídia é manipuladora? Depende. Depende se você se deixa manipular por ela.

Anitta e Naldo são como copos descartáveis. Em seis meses virarão “Felipe Dylon’s” da vida e a mídia achará outros para colocar no pedestal. É burrice deixar um “ícone” assim por muito tempo à mostra. Vai que o pessoal percebe? Mamom os livre. E isso funciona na música e em todas as outras áreas. Se falarem que a Dilma vai mal, todos acreditarão. Se falarem que a seleção precisa mudar de técnico, o que acontece? Se mostrarem uma “reportagem especial” sobre um tema bobinho qualquer, aquela vira a prioridade no país e entra nos “trending topics” nas mesas do café da manhã do dia seguinte.

Agora, se a TV não fala não existe. É meio que o Google das pesquisas. Se não tem lá, não existe. Existe mundo fora da realidade que querem pintar. Os jovens católicos fazem uma festa linda sim, mas estão longe de serem o exemplo da fé cristão, porque são os que lotam os carnavais e promovem as maiores orgias do país. Ou um país com 80% de cristãos que tem o carnaval cheio terá outros frequentadores da festa carnicida? Os meios de comunicação vão sempre pintar como querem e isso corriqueiramente será mentiroso. O Alckmin não tem tanto prestígio, mas sairá na Folha como um heroi. Interesse é tudo.

O problema está com a gente. Em quem acreditar. Como absorver as informações. Que música ouvir. Não tem problema nenhum ouvir Naldo ou Anitta. O problema está em ouvir Naldo e Anitta para “estar na moda”, porque aí, irmão, você e o cimento (massas) não diferem em nada. A diferença é que o cimento seca e fica e você vai, como uma onda, não a do Lulu Santos, a onda idiota do pessoal que se promove em cima de você! Pense!

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